Alquimia

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Alquimia

Mensagem por Neo em Sab Mar 07, 2015 3:29 pm

A palavra Alquimia tem origem árabe e significa; A Química.
O real significado desta palavra é muito mais abrangente do que a química moderna nos
leva a crer. "Química" significa fundir ou dar uma nova forma.
É muito comum ouvirmos que a Alquimia nada mais é do que a própria química moderna em sua
forma mais primitiva, mas esta é uma sentença errônea, pois o que é conhecido hoje e ensinado nas
escolas e universidades como química surgiu de um dos muitos métodos operacionais utilizados pelos
alquimistas, método esse que não ocuparia mais de 10% desta ciência.

Uma grande parte dos aspirantes a alquimistas modernos afirma que a alquimia é inteiramente espiritual
e todas as operações realizadas são na verdade metáforas para o que deve acontecer com o espirito do praticante,
mas esta é mais uma sentença equivocada.
É verdade que o alquimista deve transmutar a si mesmo, mas a transmutação não se resume a isso.
A Alquimia se utiliza de práticas e analogias que faz com que o praticante alcance um conhecimento elevado do Todo.
As práticas tem como meta operar dentro de varias áreas nos reinos Físico, Mental e Espiritual, através dos resultados
obtidos dentro destas áreas serão feitas analogias que nos guiarão até uma sabedoria antiga e sagrada. Alquimia não é
necessariamente sobre metais, assim como não se resume ao espirito. Alquimia é sobre Tudo; Universo, Deus,  Natureza e
Homem. Ninguém obterá a Pedra Filosofal se operar em apenas um ramo alquímico, a transmutação do Espirito é o último degrau
da escada e só será possível chegar até lá se caminharmos pelos degraus que o antecedem, pois é na jornada que será adquirido o conhecimento
que tornará possível que a chegada aconteça.

TODAS AS COISAS NO UNIVERSO SÃO ANÁLOGAS
se conhecer o Microcosmos, certamente estará apto para conhecer o Macrocosmos.

Nesta obra de  Joseph Wright of Derby; O alquimista Henning Brandque
trabalha na tentativa de produzir a Pedra Filosofal e acidentalmente descobre o fósforo.
Acidentalmente? Não. Não há nada acidental dentro da verdadeira Alquimia.
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Re: Alquimia

Mensagem por Malklord em Sab Mar 07, 2015 11:41 pm

Este eh um dos grandes problemas dos buscadores modernos, entender que a fisicalidade eh completamente a parte da espiritualidade, tudo se interpenetra e se relaciona. A materialidade se espelha na espiritualidade e as transformações aqui alcançadas abarcam toda a existência do indivíduo.

Compreendendo isso atingimos um novo patamar em nossa evolução, onde enxergaremos oportunidades onde hoje so vemos prisão e sofrimento.

Brinde-nos nobre Neo com suas pesquisas sobre a Alquimia, ficarei muito feliz em aprender contigo.

Saudações!

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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 08, 2015 5:49 pm

Uma Canção para o Rei



...Seria melhor que você não acreditasse em uma só palavra disso tudo. Eu também me
deslumbrei com a Alquimia; fiz tudo para encontrar a Pedra Filosofal. Uma vez trabalhei para
um charlatão que espalhou o rumor de que tinha obtido o Aurum Potabile. Era apenas um jogo
barato. Ele tentou jogá-lo com um barão, foi descoberto e pagou com a vida. Seu Elixir foi incapaz
de salvá-lo. Essa aventura me custou a orelha.
— Mesmo assim, isso não prova que todo alquimista é um embusteiro. — declarei, teimoso. — Você
pode me provar que a Pedra Filosofal não existe?
Ele ficou em silêncio por um instante. Confessou, desviando o olhar:
—  Não, Hans, não posso dizer que ela não existe, pois ela existe.
No entanto, gente como eu e você não pode obtê-la. Nossa paixão por ela nos arruína. Somos atraídos
por sua chama como insetos.
A Alquimia é uma diversão de príncipes. O mendigo que se envolve em sua chama dourada termina na câmara de torturas...


O Leão Vermelho: O Elixir da Vida Eterna - Mária Szepes

A Magia, a que os antigos davam o nome de Sanctum Regnum, O Santo Reino, ou O Reino de Deus, Regnum Dei, foi
feita unicamente para os Reis e Sacerdotes. És Sacerdote? És Rei? O sacerdócio da Magia não é o vulgar e seu reinado
nada tem a ver com o debater dos príncipes deste mundo. Os Reis da ciência são os Sacerdotes da verdade e seu
reino está oculto para a multidão, como seus sacrifícios e suas preces. Os Reis da Ciência são os Homens que conhecem
a verdade e a quem a verdade libertou, segundo a promessa formal do mais poderoso dos iniciadores.


Dogma e Ritual da Alta Magia - Eliphas Levi




Os segredos da Alquimia estão presentes nas imagens arquetípicas, símbolos e lendas, um dos que mais gosto de citar é
o mito de Arthur. Arthur era um Rei, mas o que poucas pessoas se questionam é a razão dele ter alcançado o direito de
reinar com uma simples espada.
Rochas, montanhas e cavernas possuem um papel muito importante dentro da simbologia alquímica, pois representam a forma bruta
que protege pedras e metais valiosos. Na lenda de Arthur, uma rocha protege uma espada que daria, a quem fosse capaz
de retirá-la, o poder necessário para reinar sobre Camelot. A Espada está intimamente relacionada à Matéria Prima dos alquimistas
da qual falarei no próximo post.
A Espada está relacionada ao elemento AR, por tanto trata-se de uma ferramenta caótica. O Caos nada mais é do que possibilidade
e foi isso que Arthur retirou da pedra, a possibilidade de se tornar Rei, porém isso ainda dependeria do seu esforço.
Arthur parte na sua busca pelo Santo Graal que o ajudaria a salvar seu reino.
O Santo Graal é o cálice com o qual o sangue de Cristo foi aparado, o sangue do Rei dos judeus. A palavra Santo Graal possui
muitas variações e dentre elas está: Sangreal ou Sangue Real.
A busca de Arthur era bem mais que a busca por um simples cálice, ele buscava pelo sangue real, sangue esse necessário para que
alguém possa ser chamado de Rei.



No post sobre a Matéria Prima falarei um pouco mais sobre
esta simbologia.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 08, 2015 10:37 pm

Como disse anteriormente a espada, item relacionado ao elemento AR, está intimamente
relacionada à nossa Matéria Prima que junto de muitos outros nomes também é chamada de
NOSSO AR, AR DOS SÁBIOS ou AR FILOSÓFICO dependendo do reino em que se encontra.



O AR é o primeiro dos elementos, com sua natureza caótica possui no seu interior os outros três, ou melhor quatro,
pois há dentro da ciência magicka dois tipos de AR.
Vamos à explicação:



Criei esta imagem para que o leitor possa entender com mais clareza o que acontece, no topo da
imagem servindo como topo de um templo sustentado por duas colunas, temos o AR PRIMORDIAL

o elemento caótico, a possibilidade.
Apenas sabemos que o AR existe, porém o mesmo é invisível, ou seja sua existência só pode ser imaginada
o que torna o AR uma ideia.
Segundo Platão para que uma coisa coisa possa existir, antes é necessário que a ideia desta coisa exista, ou
seja, a beleza só existe por que antes dela existe a ideia do belo.

Sua Arma, a Espada ou o Punhal é uma ferramenta masculina devido à lâmina, por isso muitos
a relacionam com o FOGO(elemento macho), porém a forma de cruz desta arma nos remete a outro simbolismo.

A Cruz e o Tau são símbolos caóticos, formados por um falo e uma vulva.



A natureza do AR é quente e úmida, quando estas características se separam geram dois outros elementos
o calor do AR separado da sua umidade fica seco gerando o FOGO cuja natureza é quente e seca. A umidade por
sua vez, quando distante do calor fica fria gerando a ÁGUA, cuja natureza é úmida e fria.
O FOGO(ATIVO) e a ÁGUA(PASSIVA) são opostos, porém também são almas gêmeas. Os dois então copulam gerando dois outros
elementos um temporário e o outro permanente.
Na presença da ÁGUA o FOGO se torna fumaça retornando à FONTE, o mesmo acontece com a ÁGUA através da evaporação.
Neste ponto temos um AR temporário formado a partir das características: CALOR e UMIDADE.
Mas o que acontece com as características restantes? A FRIEZA e a SECURA?
As duas se unem formando a filha do casal elementar: TERRA(fria e seca).

A PRIMA MATERIA

Desde os primórdios da Alquimia foi estabelecido que o nome da Matéria utilizada na obtenção da Pedra Filosofal
jamais seria pronunciado ou escrito em nenhum tratado alquímico, para isso surgiram apelidos e metáforas que falam apenas
de sua natureza. Um dos mais famosos é o termo "AZOTH" criado pelo alquimista Basilio Valentin em seu tratado Azoth(ou A Forma de Encontrar
o Tesouro Oculto dos Filósofos).



Outros nomes:

LOBO CINZENTO, DRAGÃO NEGRO, SATURNIA VEGETAL, FILHA DE SATURNO ou A MAIS AMADA DAS FILHAS DE SATURNO,
ANTIMÔNIO(que nada tem a ver com o antimônio vulgar), CAOS DOS SÁBIOS ou FILOSÓFICO, NOSSO AR, NOSSO CÉU,
SERPENTE VENENOSA, MINÉRIO DOS SÁBIOS, MAGNÉSIA NEGRA, entre muitos outros.

Este Caos possui dentro de si todos os elementos da Grande Obra alquímica, porém estes estão confusos
dentro da sua desordem.
Também é possível notar algumas características herdadas de seu pai, Saturno, lembrando do que nos diz Cornelius Agrippa
em seus Três Livros de Filosofia Oculta:

Todos os poderes elementais derivam da umidade e da secura.

Desta forma, NOSSO MINÉRIO está relacionado aos mesmos elementos que seu velho pai.



Por essa razão muitas vezes é representado com a imagem de um sapo ou rã que fazendo parte dos anfíbios
está relacionado ao elemento ÁGUA e ao elemento TERRA. Além disso o sapo é um simbolo de transformação.
Nos contos de fadas(riquíssimos em simbolismo) temos o conto da Princesa e o Sapo, onde este animal feio e frio
se transforma em um príncipe.



RELAÇÕES

PLANETA: SATURNO
METAL: CHUMBO
COR: PRETO
DIA: SÁBADO
ELEMENTO: ÁGUA E TERRA
NÚMERO: 3
NOTA: LÁ
PEDRA: ÔNIX, CORAL NEGRO, CONALINA,
PÉROLA NEGRA.
INCENSO: OLÍBANO E BENJOIM
ASSOCIADO: AGRICULTURA, CRIATIVIDADE, FORTUNA, ESPERANÇA, PROTEÇÃO
QUADRÚPEDES: CAMELO, ASNO, BODE E TOPEIRA
VOADORES: CORVO, MORCEGO, POUPA, CORUJA
AQUATICOS: ENGUIA
SIGNOS: AQUÁRIO E CAPRICÓRNIO
OPERAÇÃO ALQUÍMICA: CALCINAÇÃO


O Lobo Cinzento que nos vales e montanhas do mundo é presa da mais violenta das fomes.
Entregue a este lobo o corpo do Rei para que lhe sirva de alimento. Quando este já houver devorado o Rei,
faça um grande fogo sobre o lobo e então o Rei será libertado. Tendo feito isso o leão terá triunfado sobre o lobo
e já não poderá encontrar nada para comer nele. E assim nosso corpo estará bom para dar início a nossa obra.
Ele possui todas as cores do mundo, é venenoso e curador, tem em si as quatro qualidades é frio e úmido, quente e seco.
Regula-se de acordo com as quatro estações do ano. É volátil e fixo. O que é volátil é venenoso, o que é fixo está livre
de todo veneno.  

A Matéria Prima é exclusivamente mineral, não é metal, mas um sal metalizado. Também
chama-se vegetal, pois também é fruto, animal, pois segrega leite e sangue. Contém o fogo que deve dissolvê-la.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Seg Mar 09, 2015 5:30 pm

O CASAL ALQUÍMICO



Nicholas Flammel escreveu: Nenhum homem pode completar a Grande Obra sem a ajuda de uma mulher.

O que o leitor precisa entender e nem sempre é fácil, principalmente se o estudante for iniciante, é que os assuntos que
trato aqui se refletem em todos os Planos da Criação, ou seja, tendo como base apenas um conceito alquímico podemos
transportá-lo através da analogia pra diversos outros assuntos presentes nos reinos; FÍSICO, MENTAL e ESPIRITUAL.
O termo Casal Alquímico se refere a um casal predestinado e unido através de um elo mágicko conhecido como Liame
de Mercúrio. Muitas coisas no ocultismo já são conhecidas da maioria através de versões deturpadas e crendices populares,
o que acontece no caso do Casal é que foi este conhecimento que originou o mito da alma gêmea.
A união do Casal Alquímico não é uma união qualquer e só pode ser executada possuindo os indivíduos certos, está
muito longe de ser motivada por desejo sexual. O principio ativo e o passivo juntos formarão o Hermafrodita e realizarão
a Grande Obra alquímica como um ser único, a união do casal acontecerá no momento certo, como uma iniciação, não adianta
procurar por isso, depende unicamente do seu desenvolvimento dentro da Arte.
Os dois não necessariamente precisam ser cópias exatas um do outro, haverá algumas coisas em comum, outras não.
Haverá entre os dois um sentimento sagrado e ambos trabalharão em prol de uma única causa, embora nem sempre na mesma
área, o importante é que no fim será as conquistas de ambos que finalizará a Obra da Pedra.


Na imagem um típico casal alquímico moderno, Ann e Sasha Shulgin. Em entrevista
Sasha disse buscar através do estudo de drogas psicoativas um entendimento maior
do Universo. Sasha morreu ano passado aos 88 anos de idade, no dia 2 de Junho
vítima de um câncer no fígado. Sua esposa tem hoje 83 anos.

Durante a História podemos destacar muitos outros casais, dentre os mais famosos estão Nicholas Flammel
e sua esposa Dame Pernelle.
Um reflexo da existência deste casal são os elementos alquímicos retirados da Prima Materia, são estes; ENXOFRE(ATIVO),
MERCÚRIO(PASSIVO) e o NOSSO SAL(ELO).





E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada,
mulher, porquanto do homem foi tomada.
Por tanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
E ambos estavam nus, o homem e sua mulher e não se envergonhavam.

Gênesis 2.23-25

Entre inúmeros significados a nudez do casal nos mostra o relacionamento perfeito do casal alquímico, o que diferencia-o
dos casais normais, trata-se de recuperar o que foi perdido com a mordida dada no fruto proibido. Confiança, Nudez perante
o outro, esta é uma chave importante nesta ciência.


Última edição por Neo em Dom Mar 22, 2015 4:55 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Alquimia

Mensagem por Malklord em Seg Mar 09, 2015 7:25 pm

Quantas deturpações não sugiram da falsa interpretação destes conceitos?

Muito se pode alcançar pelo união das polaridades...

O Caibalion escreveu:“Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos;
o semelhante e o dissemelhante são uma só coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados.”

E reconciliação surge um dos principais degraus na realização da Grande Obra.

Abba ev Imma


Saudações e como diria um antigo amigo...

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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Seg Mar 09, 2015 7:54 pm

Malklord escreveu:Quantas deturpações não sugiram da falsa interpretação destes conceitos?

Muito se pode alcançar pelo união das polaridades...

O Caibalion escreveu:“Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos;
o semelhante e o dissemelhante são uma só coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados.”

E reconciliação surge um dos principais degraus na realização da Grande Obra.

Abba ev Imma


Saudações e como diria um antigo amigo...

Carpe Carpe

Perfeito.
O hermetismo é uma peça fundamental dentro da Alquimia, mas não só dela
como de muitas outras linhas de estudos que visam a busca e a realização da Obra.
As leis de Hermes são atemporais.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Ter Mar 10, 2015 8:09 pm



A verdade sincera, correta e mais verdadeira:
O que está embaixo é como o que está em cima,
e o que está em cima é como o que está embaixo,
para realizar os milagres da Unidade.
E como as coisas se originam pela
meditação da Unidade, assim todas as coisas nascem
da Unidade, por adaptação.

Seu pai foi o Sol e sua mãe, a Lua;
foi gerado no ventre do vento
e amamentado pela Terra.

É pai de todas as coisas boas do mundo.
Seu poder se manteria íntegro
mesmo se fosse direcionado contra o mundo inteiro.

Separai a Terra do Fogo,
o sutil do simples,
suavemente e com grande engenho.

Ele ascende da terra ao céu
e desce à terra novamente
e recebe a força vital dos dois planos.
Assim possuireis a glória de toda a Criação.

Desse modo toda a escuridão fugirá de vós.

Esta é a força das forças,
a que conquista as coisas sutis
e vê através do que é sólido.

E assim se criou o mundo.

Desde então houve adaptações maravilhosas,
e este é o método pelo qual procedem.
Assim me chamam Hermes Trismegisto,
pois possuo as três partes da filosofia do mundo inteiro.
Narrei tudo a respeito da Obra do Sol.


Este é um dos textos mais importantes da Alquimia, a Tábua de Esmeralda de Hermes,
traduzido do egípcio para o Grego pela primeira vez pelo filósofo Marsilio Ficino.
Embora seja um texto bastante antigo se mostra incontestável até os dias de hoje, e por
possuir inúmeros significados, mudando os mesmos de acordo com o contexto escolhido pelo
buscador, acaba se tornando um material recorrente durante todas as fases da Grande Obra(Obra do Sol),
por essa razão era comum encontrar uma cópia deste texto nos laboratórios alquímicos.

O Gênese desempenha um papel muito importante no trabalho do alquimista.
Irineu Filaleto em seu Entrada Aberta ao Castelo Fechado do Rei escreveu:
Que o filho dos filósofos escute os Sábios, unânimes em concluir que esta obra deve ser comparada à criação do
Universo. Pois, no princípio, Deus criou o céu e a terra, e a terra era vazia e deserta, e as trevas cobriam o abismo, e
o espírito de Deus era levado sobre as superfícies das águas. Então Deus disse: "Faça-se a Luz!" e a Luz se fez.
Estas palavras bastarão ao filho da Arte. É preciso, de certo, que o céu seja unido `a terra sobre o leito da amizade e
do amor; destarte poderá ele reinar honradamente sobre toda vida universal.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Sab Mar 14, 2015 2:50 pm

O ATHANOR



O Athanor é uma peça fundamental na Obra da Pedra, porém uma das mais incompreendidas.
Basicamente o Athanor é um forno no qual será realizado as operações que elevarão a vulgar
Matéria Prima na mais preciosa das gemas.
Há quem diga que o Athanor é uma metáfora para o próprio alquimista, mas na verdade ele é
muitas coisas e se encontra em muitos lugares. Como a Torre Negra das histórias de Stephen
King, o Athanor é uma torre que conecta todos os níveis e planos existenciais, muitas vezes ele é
um forno, muitas vezes uma torre e outras vezes nem uma coisa nem outra, mas está sempre lá.
Há um trecho do livro citado que gosto muito e cai muito bem nesta postagem.



Stephen King(A Torre Negra Vol 1 - O PISTOLEIRO) escreveu:O maior mistério que o universo propõe não é a vida, mas o tamanho. O tamanho contém a vida...
A criança que em geral está familiarizada com o espanto, diz: papai, o que existe em cima do céu? E o pai diz: a escuridão do espaço. A criança: o que existe depois do espaço? O pai: a galáxia. A criança: depois da galáxia? O pai: outra galáxia. A criança: e depois das outras galáxias? O pai: ninguém sabe.
O tamanho nos derrota. Para o peixe, o lago onde ele vive é o universo. O que pensa o peixe quando é puxado pela boca por um gancho prateado, nos limites da existência, e penetra em um novo universo onde o ar afoga e a luminosidade é uma loucura azulada? Onde enormes bípedes sem guelras o amontoam para morrer em uma caixa sufocante, forrada por vegetação úmida?
Ou se pode pegar a ponta de um lápis e ampliá-la. Vamos chegar a um ponto de onde uma atordoante compreensão cai sobre nós: a ponta do lápis não é sólida; é composta de átomos que giram e rodopiam como um trilhão de diabólicos planetas. O que nos parece sólido é apenas uma rede de coisas soltas, mantidas juntas pela gravidade. Vistas na sua real dimensão, as distâncias entre esses átomos podem se tornar quilômetros, abismos, eternidades. Os próprios átomos são compostos de núcleos com prótons e elétrons girando em torno deles. Podemos descer ainda mais até as partículas subatômicas. E depois para quê? Para os táquions, para nada? Claro que não. Tudo no universo rejeita o nada; sugerir um término é o único absurdo que existe.
Se você recuasse para o limite do universo, será que encontraria uma cerca de madeira e tabuletas dizendo SEM SAÍDA? Não. Talvez você encontrasse algo duro e arredondado, como o pintinho deve ver o ovo de seu interior. E se você atravessasse a casca beliscando (ou encontrasse uma porta), não poderia jorrar nesses confins do espaço, uma incrível luz torrencial através da abertura? Você poderia olhar por ali e descobrir que todo o nosso universo é apenas parte de um átomo numa camada de relva? Não poderia ser levado a pensar que, ao queimar um graveto, você está incinerando uma eternidade de eternidades? Que a existência não avança para um infinito, mas para uma infinidade deles?

... Será possível que tudo que percebemos, do vírus microscópico à distante nebulosa Cabeça de Cavalo, esteja contido numa camada de relva que pode ter existido por uma única estação num outro fluxo de tempo? E se a camada de relva fosse cortada por uma foice? Quando ela começasse a morrer, a podridão não escorreria para o nosso próprio Universo e nossas próprias vidas, deixando tudo amarelado, escuro e ressecado?

...Pense em como essa ideia das coisas nos torna pequenos Pistoleiro! Se um Deus vela sobre tudo, acha realmente que Ele vai se preocupar em distribuir justiça a uma raça de mosquitos entre uma infinidade de raças de mosquitos? Será que seu olho vê o pardal cair quando o pardal é menos que um pontinho de hidrogênio flutuando solto nas profundezas do espaço? E se ele realmente vê... qual deve ser a natureza de tal Deus? Onde Ele vive? Como é possível viver além do infinito?
...Tamanho, pistoleiro... tamanho...
Mas continue a supor. Suponha que todos os mundos, todos os universos se reúnam num único nexo, um mesmo portal, uma Torre. E que dentro dela haja uma escada, levando, talvez, à própria Divindade. Você teria
coragem de subir até lá, pistoleiro? Não é possível que em algum lugar sobre toda essa infinita realidade haja uma sala?
Você não teria coragem.
E na mente do pistoleiro, aquelas palavras ecoaram: Você não teria coragem.
— Alguém teve coragem — disse o pistoleiro.
— Quem pode ter sido?
— O próprio Deus — disse o pistoleiro em voz baixa. Seus olhos brilhavam. — Deus teve coragem... ou o rei de quem você falou...

Uma torre que nos leva à Divindade, ou seja um zigurate como a Torre de Babel. O Athanor muda de acordo com a camada em que está sendo observado, no laboratório ele é sim um forno, mas ao mesmo tempo trata-se de um templo transformador cujos degraus nos conduzem ao último grau das iniciações, à transcendência.
O Rei que adentra uma das duas portas da Torre encontrará em seu topo a coroa para que possa reinar, o Santo Graal. Há duas portas para que possamos realizar a Grande Obra, a Porta do Sol e a Porta da lua, ambas conduzem ao mesmo lugar, apenas a estrada é diferente.
Você que está lendo este texto, já viu o Athanor, já estudou sobre ele na escola, mas ele se esconde, se esconde em todos cantos de todos os reinos existentes, é El dorado ou Avalon oculta nas brumas, onde somente o eleitos(Reis) podem chegar sem se perderem na própria loucura.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Sab Mar 14, 2015 3:09 pm

A INICIAÇÃO

Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.

O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.

Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais:
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.

A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não está morto, entre ciprestes.

Neófito, não há morte.

Fernando Pessoa
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Re: Alquimia

Mensagem por Malklord em Sab Mar 14, 2015 10:18 pm

O Forno, o Caldeirão, O Ventre de Imma ,A Torre, A Casa de D-us...

Tantos nomes, tantas crenças, tantos desafios,

O Instrumento onde a transformação ocorre...

Seria a Realidade?

Parabéns pelo excelente Post.

Saudações!

_________________
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Ominia in Unum

kabbalah, esoterismo , qliphoth , magia , ocultismo , celtas , força , wicca , verdade , ocultismo, occultismo, alquimia, sol, lua, astrologia, planetas, filosofia, sabedoria, busca, conhecimento, astrum argentum, arcanum arcanorum, hermetismo, religiões, cura, candomblé, umbanda, exu, orixás, anjos, demônios, deuses, forças da natureza, judeus, cristãos, Cristo, fogo, água, terra, ar, yin, yang, existencia, daemon, goetia, luz, escuridão, opostos, darkness, light, sun, moon, angels, michael, gabriel, rafael, adonai, mente, estudo, ciencia, meditação, force, grimoire, sabaoth,cernunos, mabon, graal, calice, arthur,artur,hermes,hermetico, alquimia, alchemy, pedra, filosofal, arcano, eliphas, levi, saint germain, fraternidade branca, sociedade teosifica, yggdrasil,ayahuasca, plantas de poder, Runas, rune, power, poder, hebraico, grego, grecia, roma, igreja
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 15, 2015 4:51 pm

A VIA SECA E A VIA ÚMIDA

A Grande Obra pode ser realizada através de dois caminhos ou vias, são elas; Via Seca(Porta do Sol)
e a Via Úmida(Porta da Lua). A Via Úmida é mais longa e também a mais utilizada pelo Homem, a Via Seca é rápida, porém
bastante cara.
Fulcanelli escreveu:Os nossos dois vasos aparecem, pois bem definidos, nitidamente distintos, e em absoluta concordância
com os preceitos herméticos. Um é o vaso da Natureza, feito da mesma argila vermelha que serviu a Deus para formar o corpo
de Adão; o outro é o vaso da Arte, cuja matéria é toda composta de ouro puro...
Assim como o Athanor, as vias estão ocultas em todas os estados, níveis, camadas e planos existenciais cobertas por uma capa
de invisibilidade. Quando o Alquimista decide trabalhar com uma das duas deve saber encontrá-las em seu laboratório, na sua vida cotidiana,
quando fecha os olhos, quando pratica seus rituais e orações e quando olha em volta. O Macro e o Micro ocultam-na por trás das mais
variadas máscaras.

OS TRÊS REIS MAGOS



Quando a Estrela de Belém surge no cadinho, três Magos surgem para visitar o Rei que está emergindo desta Obra.
Um deles tem a pele negra, o outro possui a pele morena e o último a pele branca. Temos aqui os três elementos
alquímicos; Enxofre, Sal e Mercúrio, dos quais falarei separadamente em posts futuros. Cada um destes elementos
refletem as três fases alquímicas; Nigredo, Albedo e Rubedo.


  • Nigredo - Nigredo é a fase escura, onde o Caos Filosófico é desmembrado, é a decomposição da nossa Matéria Prima.


  • Albedo - Das cinzas da Matéria decomposta surge algo precioso, é o Chumbo transmutado em Prata.


  • Rubedo - A fase Vermelha, onde a Pedra Filosofal é alcançada, é a pedra desvalorizada que as crianças brincam e as donas de casa varrem para fora de suas casas que após a execução das operações tornou-se valiosa e agora fora elevada ao nível máximo da pureza, representada pelo metal mais puro, o Ouro.


Eles são as três fases da Deusa/Lua; Donzela/Crescente, Mãe/Cheia, Anciã/Minguante. O Ativo, o Passivo e o Meio Termo.
O caduceu e as duas serpentes.

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Re: Alquimia

Mensagem por Guapo em Dom Mar 15, 2015 7:33 pm

Stephen King(A Torre Negra Vol 1 - O PISTOLEIRO) escreveu:... Ou se pode pegar a ponta de um lápis e ampliá-la. Vamos chegar a um ponto de onde uma atordoante compreensão cai sobre nós: a ponta do lápis não é sólida; é composta de átomos que giram e rodopiam como um trilhão de diabólicos planetas. O que nos parece sólido é apenas uma rede de coisas soltas, mantidas juntas pela gravidade. Vistas na sua real dimensão, as distâncias entre esses átomos podem se tornar quilômetros, abismos, eternidades. Os próprios átomos são compostos de núcleos com prótons e elétrons girando em torno deles. Podemos descer ainda mais até as partículas subatômicas. E depois para quê? Para os táquions, para nada? Claro que não. Tudo no universo rejeita o nada; sugerir um término é o único absurdo que existe.

Lei da Vibração: "Nada está parado, tudo se move, tudo vibra" ... Sagrada a capacidade de perceber.

Neo escreveu:
Uma torre que nos leva à Divindade, ou seja um zigurate como a Torre de Babel. O Athanor muda de acordo com a camada em que está sendo observado, no laboratório ele é sim um forno, mas ao mesmo tempo trata-se de um templo transformador cujos degraus nos conduzem ao último grau das iniciações, à transcendência.
O Rei que adentra uma das duas portas da Torre encontrará em seu topo a coroa para que possa reinar, o Santo Graal. Há duas portas para que possamos realizar a Grande Obra, a Porta do Sol e a Porta da lua, ambas conduzem ao mesmo lugar, apenas a estrada é diferente.
Você que está lendo este texto, já viu o Athanor, já estudou sobre ele na escola, mas ele se esconde, se esconde em todos cantos de todos os reinos existentes, é El dorado ou Avalon oculta nas brumas, onde somente o eleitos(Reis) podem chegar sem se perderem na própria loucura.
"Meu número é 11, como todos os números daqueles que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, e o círculo é Vermelho. Minha cor é o preto para o cego, mas o azul e ouro são vistos pelos que enxergam. Também eu tenho uma glória secreta para aqueles que me amam." Al vel Legis - I, 60

Ótimo texto Neo!

Estou aguardando ansiosamente pela continuação!
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Seg Mar 16, 2015 4:45 pm

As Operações

Calcinação



Bom vocês devem ter percebido em uma das imagens que postei, um homem manejando uma espada junto a um ovo. Aquele é o Ovo Filosófico onde a Matéria deve ser calcinada.
O Ovo é o simbolo do nascimento e também da transformação, como podemos observar no cristianismo representa a ressurreição e por isso sua relação com a páscoa e anteriormente estava ligado à deusa da fertilidade; Eostre.
O Ovo representa a Unidade de onde todas as coisas vieram.
A Matéria Prima deve ser depositada dentro do Ovo Filosófico e depois calcinada. Esta matéria caótica é simbolizada pela Gema e a Clara que misturadas devem ser chocadas pelo calor da galinha trazendo uma nova vida ao mundo.
No processo alquímico a matéria é totalmente destruída dentro do Ovo e será destas cinzas que algo novo e puro surgirá.
A operação deve ser realizada em todas as divisões dos três reinos; Físico, Mental e Espiritual.
Dentro do Ovo o Caos filosófico será queimado, e de suas cinzas dois corpos poderão ser facilmente encontrados, são estes; Enxofre e Mercúrio. Um terceiro item se confundirá com os outros dois, este é o Nosso Sal e o Alquimista terá um pouco mais de trabalho para vê-lo.

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Re: Alquimia

Mensagem por Malklord em Seg Mar 16, 2015 8:19 pm

O fogo transformador...Fohat.

Uma espada para se tornar perfeita deve ser levada ao fogo, mais isso não é suficiente para transforma-la na obra prima.

Diferentes ilustrações,

Muito bom!

Continue nobre irmão.
Estou ansioso pelos próximos posts.

Saudações!

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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Sab Mar 21, 2015 6:02 pm

Dissolução



Neste processo as cinzas que sobraram da Calcinação são dissolvidas no solvente universal.
Trata-se de um dilúvio microcósmico que purificará ainda mais nossa matéria.
Analógico a isso temos a vontade sendo dissolvida no mundo das ideias, para que mais tarde possa ser
coagulada no mundo físico. Este é o SOLVE. Esta é a magia.
A Terra infértil que após ser banhada pela chuva regressará cheia de vida.
Nossa matéria deverá permanecer em contato com o solvente por um longo tempo. Um instrumento limpo
deve ser utilizado diariamente para misturá-la e quando estiver devidamente dissolvida será o momento
de executar a terceira operação.
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Re: Alquimia

Mensagem por Malklord em Dom Mar 22, 2015 11:48 am

Interessante que a kabbalah também nos diz que o dilúvio eh um momento de purificação, eh a água de chessed que gevurah utiliza para purificar o ser, O dilúvio deixa apenas aquilo que será útil a nova etapa do ser.

Mas isso eh assunto para outro tópico.

Continue nobre irmão,
Estou acompanhando de perto...


Saudações!


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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 22, 2015 3:00 pm

Separação



Com as cinzas da Calcinação totalmente dissolvidas é o momento de
separar as impurezas do restante do material, para isso deve-se filtrar
três vezes e guardar as fezes(material inútil) em um frasco hermeticamente
fechado. Este material recolhido é então chamado de Terra Damnata, ou seja,
Terra Condenada.
O material restante após a separação destas fezes, estará apto para a realização
da Obra Solar e deve ser armazenado em um frasco adequado.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 22, 2015 4:46 pm

Conjunção



A Conjunção é o nosso Casamento Alquímico. O Rei e a Rainha passam a ser um só, Enxofre e Mercúrio habitam um único corpo, é o Nosso Rebis, O Hermafrodita.
Este novo corpo é criado da seguinte forma:
O Mercúrio deve ser sublimado sete vezes até que seja exaltado agindo como um banho para o Rei.



Neste momento temos novamente um caos, os elementos separados na Calcinação são reorganizado em uma versão purificada da Matéria Prima.

Irineu Filaleto escreveu:Daí nascerá o Camaleão, quer dizer, nosso
Chaos, onde estão escondidos todos os
segredos, não em ato, mas em potência. É esse
o infante Hermafrodita; envenenado desde o
berço pela mordida do cão enraivecido de
Corascena, por causa de uma hidrofobia
permanente, ou medo da água, que o torna louco
e insensato; e agora que a água é o elemento
natural mais próximo dele, ele a abomina e foge
dela. Ó Destinos!

A conjunção não é um processo fácil, o Mercúrio casa muito bem com o Sal, já o Enxofre por sua natureza oposta tende a se afastar, cabe ao Alquimista convencê-lo de lutar por sua amada.

Matheus 1 escreveu:Estando Maria desposada de José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espirito Santo.
Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
E projetando isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espirito Santo.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Qua Mar 25, 2015 2:57 pm

Fermentação



O Hermafrodita causa o nascimento da Criança Filosofal.
Esta Criança é O Basilisco, que na mitologia nasce de um ovo chocado por um sapo(Matéria Prima), também chama-se O Camaleão por ser facilmente adaptável. Ele é o próprio resultado da união das duas substâncias.
Quando colocado sobre efeito do calor do fogo, nosso hermafrodita morre e começa seu estado de decomposição.
Deve-se deixar que o produto fermente.

Destilação



Neste ponto pegamos o produto fermentado e realizamos uma destilação para alcançar uma versão mais pura do mesmo.


Coagulação



A Coagulação é a precipitação do resultado da destilação, que dará origem a um pó vermelho que chamamos de Pedra Filosofal, da qual falarei no próximo post. É na etapa da Coagulação que temos o resultado Magicko de qualquer Ritual se olharmos através da analogia destes conceitos.

Devo lembrar que os processos aqui escritos estão resumidos e o praticante deverá buscar nos livros alquímicos o aprendizado necessário para esta execução.

Fulcanelli escreveu:A ciência alquímica não se ensina; cada qual deve
aprendê-la por si mesmo, não de modo especulativo, mas
sim com a ajuda de um perseverante trabalho, multiplicando
os ensaios e as tentativas, de maneira a submeter sempre
as produções do pensamento à verificação da experiência.
Aquele que teme o labor manual, o calor dos fornos, a poeira
do carvão, o perigo das reações desconhecidas e a insônia
das longas vigílias esse nunca saberá coisa alguma.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Qui Mar 26, 2015 4:05 pm

A PEDRA FILOSOFAL



A Pedra Filosofal é a nossa Matéria Prima elevada ao seu potencial máximo. Aquela que antes era filha de Saturno teve sua natureza transmutada e agora é regida pelo Sol. Tão pura que Papus escreveu que ela seria como energia vital em forma física, é como espirito coagulado na forma de um pó rubro.
Sim um pó, pois a Pedra não é pedra no sentido físico.
Mateus escreveu:Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
Sim esta é a Pedra da qual será edificado o templo do Sacerdócio mágicko, a Pedra da qual será edificado o Sanctum Regnum, no qual os Reis governam em anonimato. Aquele que possui a Pedra possui também as chaves, as chaves da segunda lei hermética.
Onde este ingrediente puro for adicionado elevará seu hospedeiro ao aperfeiçoamento, trata-se de uma ferramenta de lapidação que pode transformar o bruto no precioso. Acrescente uma porção da Pedra no adubo de uma planta e ela crescerá como nenhuma outra, seus frutos serão os mais doces, suas flores as mais belas e perfumadas, sua estrutura a mais resistente, e suas propriedades as mais poderosas, a Pedra agirá sobre a matéria e sobre o espírito.
Derreta certa quantidade de chumbo e misture com um punhado deste pó mágicko e depois de algum tempo no cadinho você terá a mesma quantidade em ouro.
E com este pó podemos produzir um líquido, o Elixir capaz de curar as doenças, purificar o sangue e a alma. O Homem que dele provar será como Adão antes de sua queda, antes de provar da árvore que lhe envenenou com a morte.
Papus escreveu:A Pedra Filosofal é, pois, simplesmente energia vital condensada numa pequena quantidade de matéria. Age sobre o corpo com o qual entra em contato, como se fosse levedura. Um pouco de levedura é suficiente para que uma massa de pão se "eleve" e cresça. Da mesma forma, basta um pouco de Pedra Filosofal para fazer crescer a vida contida em qualquer matéria, seja mineral, vegetal ou animal. Por esta razão os alquimistas denominam sua Pedra: O Remédio dos Três Reinos.
Devemos também lembrar que os três reinos possuem suas analogias refletidas em todos os ecos da trindade, tendo como principal exemplo; Matéria, Mente e Espirito.
Mas não devemos ver Nossa Pedra como um item milagroso, pois ela apenas revela e faz crescer o Ouro que já existe, por essa razão é necessário que o adepto tenha a inclinação para o reinado ou para o sacerdócio, entregar a pedra a um profano poderá realizar transmutações perigosas sobre ele e à sua volta.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Qui Mar 26, 2015 9:55 pm

Aí você me pergunta:
Você realmente acredita que esta Pedra exista e possa transformar chumbo em ouro?
Sim, a Pedra existe. Existe em todos níveis de todos os reinos, porém no nível químico do reino físico esta Pedra, apesar de transformadora, não pode transmutar chumbo em ouro no sentido literal e citando os sábios do passado apenas posso dizer:
O ouro não é importante.
A Pedra Filosofal do nível químico, assim como as Armas Mágickas conquistadas nas iniciações é um símbolo de uma realização muito maior que a transmutação metálica, pois aquele que conseguiu alcançá-la adquiriu o Ouro dos Sábios que é muito mais valioso que o ouro profano.
O detentor da Pedra, alcançou a coroa, o sangue real. Este alquimista agora é um Rei, um Sacerdote, um verdadeiro Mago.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Sab Mar 28, 2015 11:14 pm

O ELIXIR DA VIDA



Nicolas Flamel escreveu:...ao sair do vaso quando está purpúrea, deves diluir, isto é, dissolver alguns grãos em vinho branco ou aguardente, até que o vinho esteja colorido, dourado apenas, pois é a marca certa. Não receies de ministrar ao doente 12 ou 15 gotas em vinho, caldo ou outro licor. Como que por milagre, logo estará curado.

O Nosso Elixir, assim como quase tudo na Alquimia, possui uma natureza múltipla. Porém estaria desonrando os sábios do passado se falasse abertamente sobre cada uma delas, e como disse Irineu Filaleto; eles certamente lançariam maldições sobre a minha cabeça.
As coisas que falo aqui são as que tenho aprendido dentro desta Arte, porém se falasse sobre tudo e explicasse detalhe por detalhe estaria mais atrapalhando do que ajudando. Aquele que busca pela Pedra e o Elixir deve encontrar o caminho sozinho. Deverá descobrir Nossa Matéria prima sozinho e em silêncio encontrar suas faces em cada um dos reinos e executar as operações sobre ela. Assim como os maçons dizem do segredo da Maçonaria, digo também do resultado da Obra: A Grande Obra não pode ser contada e aqueles que acham que podem revelá-la jamais obtiveram resultado algum.
O Sábio encontrará nossa preciosa Matéria até mesmo dentro das latrinas, enquanto o profano...

O Elixir ou Aurum Potabile(Ouro Potável) só pode ser obtido por aqueles que já alcançaram a Pedra, e junto dele a venda que encobre os mistérios acerca da Morte será erguida. O Mago que produzir este líquido miraculoso conhecerá o Nome Verdadeiro da Morte e a dominará, ou melhor; a Morte por vontade própria se prostrará ao Iniciado reconhecendo sua sabedoria.
A Morte nada mais é do que transformação(isso já estamos cansados de tanto ouvir), e o que é um alquimista se não um dominador de transformações? Aquele que trabalhando através de símbolos e analogias e dominou a arte de transmutar a Natureza dos metais, plantas e do próprio ser. Após adquirir experiência o Alquimista se verá muitas vezes transmutando elementos pelo simples encanto de agir em parceria com a Natureza e mais tarde quando tiver galgado os nove degraus da Iniciação não achará difícil fazer o mesmo com a Morte.
João escreveu:Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna...
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 29, 2015 1:27 pm

O Leão Vermelho - Mária Szepes escreveu:Quando um certo nível de desenvolvimento é alcançado, o medo realmente pode ser posto de lado para que o Espirito se eleve. Mas, até então, é um lastro necessário. Aquele que é vazio por dentro é levado por qualquer ventania. Você poderia entrar em um estágio pior que a morte... Pode até mesmo matar uma pessoa cujo a alma está cheia de impulsos baixos. Mesmo que seu corpo se recupere do terrível choque, ele se tornaria um leproso mental, encarcerado pela eternidade no tormento das suas ulcerações dolorosas. Há um véu benéfico sobre os olhos do homem mortal...
O Elixir quebra essa barreira protetora, mesmo no caso dos Iniciados. Mas eles estão preparados para isso, já eliminaram as características demoníacas de suas almas. São capazes de dominar esses seres astrais. Mas quando a fogueira das paixões ainda arde no Homem, os demônios se apressam em capturá-lo. Eles empregam o medo e a fraqueza para confeccionar o laço que irá enforcá-lo.
O ato de dominar a Morte pode ser visto das mais diversas maneiras, algumas são verdadeiras outras apenas o fruto do mau entendimento da natureza da morte. Todos já ouvimos que o que separa o remédio do veneno é apenas a dose. O Alquimista inconscientemente está recebendo pequenas doses do Elixir durante toda a Obra, o que o prepara para que com a Obra realizada possa ingerir uma dose maior. Para quem jamais transmutou coisa alguma, o Elixir pode ser um veneno cruel conduzindo o profano à loucura ou coisas bem piores. O Elixir quando dado a outras pessoas deve ser em silêncio sem jamais contar ao paciente o que ele está ingerindo, deve ser a dose certa e naqueles que merecerem(sem deixar que sentimentos atrapalhem a sua habilidade de julgar). Quando digo merecer, falo do estágio evolutivo que o espirito dessa pessoa se encontra, se ela estiver em um estágio pouco desenvolvido não fará mais que colocar ainda mais obstáculos no caminho que ela está trilhando.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 29, 2015 4:18 pm

Da Natureza dos Metais

A Alquimia trabalha basicamente com sete Metais, da mesma forma que a Astrologia Tradicional trabalha com sete Planetas.

OURO - SOL
PRATA - LUA
FERRO - MARTE
MERCÚRIO - MERCÚRIO
ESTANHO - JÚPITER
COBRE - VÊNUS
CHUMBO - SATURNO

Estes são os sete principais e não que o sábios do passado desconhecessem os outros, mas estes são os únicos que realmente importam dentro desta Arte, podemos acrescentar outros, até recomendaria isso, mas o foco fica nos sete.



O Número sete é um número mágicko representado no Tarot pelo Carro. Neste Arcano um Homem coroado(ou seja, um Rei) governa com seu cetro duas esfinges. Sabemos que esfinges são símbolos que guardam os mistérios, nesta lâmina há uma negra e uma branca, ou seja a força dual da Natureza. Cada uma delas deseja levar o carro para uma direção, porém o Rei as governa para que sigam na direção escolhida por ele.
E ao que vencer, e guardar até o fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, e ele as governará com vara de ferro e as reduzirá a pedaços como se fossem vasos de barro. Eu lhe concederei autoridade semelhante a que recebi de meu pai. Também lhe darei a Estrela da Manhã.
Na lâmina o condutor se encontra dentro de um veículo quadrado representando a Matéria, porém, parte do seu corpo se encontra fora, pois ele está livre dela. A cortina com estrelas está aberta, simbolizando os Mistérios Divinos que lhe foram revelados. Entre as duas Esfinges podemos ver o Falo e a Vulva unidos representado o equilíbrio. As Esfinges já não o conduzem, pois ele as governa. Esta carta representa o Alquimista após a sétima operação.
Análogo a isso temos a definição de Magia de Papus que postarei logo depois disto. Devemos lembrar que a própria Criação Divina foi feita em 7 dias.

Mas continuando a falar dos Metais, na Ciência Alquímica costuma-se dizer que a única coisa que separa a Natureza do Chumbo, Cobre, Estanho, Mercúrio e Ferro da Natureza do Ouro e da Prata é a quantidade de Enxofre, Mercúrio e Sal presente em cada um deles. Um químico diria que isso não faz sentido algum e que a natureza do Chumbo é muito diferente e que ele jamais poderia se tornar Ouro, mas um Alquimista sabe que a natureza de nada no Universo é diferente de outra e com o fogo na temperatura certa e a quantidade correta de Enxofre, Sal e Mercúrio(ingredientes da Pedra), podemos refinar a Natureza de cada um destes em prata ou ouro.
O Enxofre do qual falamos aqui, assim como o Mercúrio e o Sal, não é o vulgar, mas substâncias geradas em todos os minérios dando a forma que conhecemos aos metais, quantos mais puras estas substâncias se encontram mais nobre é o metal, pois encontrá-las livres de impurezas é algo raro. O trabalho do alquimista é purificar estes três elementos enobrecendo a natureza dos metais. Aquele que dominar esta técnica será mais rico que os reis da Terra, e seu ouro será o mais puro.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Dom Mar 29, 2015 4:29 pm



Papus escreveu:— Vistes alguma vez um fiacre (coche, carruagem) transitando pelas ruas de Paris? ... se observares
atentamente este fiacre, estareis em condições de aprender rapidamente a mecânica, a filosofia, psicologia e
sobretudo, a magia. Se minha pergunta ... vos parece absurda é que não sabeis ainda observar. Olhais, mas
não vêdes; experimentais passivamente sensações, mas não tendes o costume de as analisar, de procurar as
relações das coisas. ... Todos os fenômenos físicos que ferem nossos sentidos, não são mais do que reflexos
das vestes de princípios mais elevados: as idéias. ...
Voltemos ao nosso fiacre. Uma carruagem, um cavalo, um cocheiro, eis toda a filosofia, eis toda a magia.
... Se o ser inteligente, o cocheiro, quisesse pôr em movimento seu fiacre sem o cavalo, o carro não andaria.
... [Entretanto] muitos supõem que magia é a arte de fazer mover fiacres sem cavalos ou, traduzindo em
linguagem um pouco mais elevada, de agir sobre a matéria pela vontade e sem intermediários de espécie
alguma. ... Observastes que o cavalo é mais forte que o cocheiro e que, por meio das rédeas, o cocheiro
domina a força bruta do animal que ele conduz? O cocheiro representa a inteligência e, sobretudo, a
VONTADE, o que governa todo o sistema ... A carruagem representa a matéria, o que é inerte ... O cavalo
representa a força.
Obedecendo ao cocheiro e atuando sobre a carruagem, o cavalo move todo o sistema. [O Cavalo] é o
princípio motor ... elo intermediário entre a carruagem e o cocheiro, elo que prende o que suporta
(matéria) ao que governa (pensamento, inteligência). [Em outras palavras] ... O cocheiro é a VONTADE
HUMANA, o cavalo é a VIDA (FORÇA VITAL) ... sem a qual o cocheiro não pode agir sobre a
carruagem.
... Ora, quando nós nos encolerizamos ao ponto de perder a cabeça, [dizemos que] o sangue "subiu à
cabeça" {ou, a força vital, o cavalo descontrolado apoderou-se da mente], isto é, o cavalo "desboca-se" e,
céus! Nesse caso, o dever do cocheiro é [manter o pulso firme nas rédeas], e pouco a pouco, o cavalo,
dominado por essa energia, torna-se calmo. O mesmo acontece com o ente humano: seu cocheiro — a
vontade, deve agir energicamente sobre a cólera, as rédeas que prendem a força vital à VONTADE devem
ser mantidas em tensão [sob controle]
A magia sendo uma ciência prática, requer conhecimentos teóricos preliminares, como todas as ciências
práticas. Entretanto, há diferença entre um engenheiro mecânico, que passou por um curso universitário e
um mecânico técnico ou leigo, que fez um curso rápido ou aprendeu na lida do dia a dia da oficina. Em
muitos lugarejos, há leigos em magia que, de fato, produzem fenômenos curiosos e realizam curas, porque
aprenderam a fazer estas coisas vendo como eram feitas pelos mais velhos, repetindo tradições cujo
fundamento, geralmente, se perdeu. Esses "magos leigos" são os chamados FEITICEIROS ...
Sendo prática, a magia é uma ciência de aplicação. Mas, o quê o operador vai aplicar? SUA VONTADE ...
o princípio diretor, o cocheiro do sistema. Perguntamos ainda: em quê, em qual objeto será aplicada esta
VONTADE? Na MATÉRIA? Nunca! Seria como um cocheiro agitando-se na boleia da carruagem
enquanto o cavalo ainda está na estrebaria! Um cocheiro AGE SOBRE um cavalo, não sobre a carruagem.
... Um dos grandes méritos da ciência oculta é justamente ter fixado este ponto: que o espírito não pode agir
sobre a matéria diretamente; o espírito age sobre um AGENTE INTERMEDIÁRIO, o qual, por sua vez,
reage (repercute) sobre a matéria. O operador deverá, pois, aplicar sua VONTADE não diretamente na
matéria, porém naquilo que modifica a matéria incessantemente, [seu mediador plástico] que, a ciência
oculta chama PLANO ASTRAL ou PLANO DE FORMAÇÃO DO MUNDO MATERIAL.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Sab Abr 04, 2015 4:57 pm

Empédocles escreveu:Amigos, que habitais a grande cidade, junto aos fulvos rochedos de Ácragas, no alto da cidadela, amadores de nobres trabalhos, respeitáveis abrigos para os estrangeiros, homens inexperientes da maldade, eu vos saúdo! Eu, porém, caminho entre vós qual Deus imortal, e não mais como mortal, por todos honrado como me convém, coroado de guirlandas floridas. Desde minha entrada nas florescentes cidades, sou honrado por homens e mulheres; seguem-me aos milhares, a fim de saber qual o caminho da riqueza; uns necessitando oráculos; outros, feridos por atrozes dores, Pedem uma palavra salvadora para as suas múltiplas doenças.

Agora que já temos uma visão parcial dos principais métodos e elementos alquímicos podemos nos aprofundar um pouco mais nesta Arte. Conforme a filosofia de Empédocles, sabemos que o mundo tal como conhecemos é fruto da organização de quatro elementos primordiais(AR, FOGO, ÁGUA e TERRA), ou como ele gostava de chamar; Raízes.

Empédocles escreveu:Dessas quatro saiu tudo o que foi, é e sempre será:
Árvores, animais e seres humanos, machos e fêmeas todos,
Pássaros do ar e peixes gerados pela água brilhante;
Os envelhecidos deuses também, de há muito louvados nas alturas.
Estes quatro são tudo o que há, cada um se entranhando no outro
E, ao misturar-se, variedade ao mundo dando.

Muitos estudantes possuem dificuldades em compreender a linguagem hermética, praticam seus rituais se utilizando dos quatro elementos, mas sem compreender de fato a importância dos mesmos para a Arte Mágicka. Ao ouvir sobre a teoria citada, aqueles que possuem o mínimo de conhecimento em física iriam dizer que este conceito de que a criação é sustentada pelos quatro elementos está ultrapassada visto que a hipótese atômica comprova que estes mesmos elementos são compostos da mesma coisa que todo o resto; átomos.
O meu conselho para os neófitos é que abandonem todas as suas certezas ao dar início aos seus estudos, a verdade só pode ser alcançada no momento que buscarmos de forma imparcial, abrindo mão de nossas crenças e certezas e olhando em volta como uma criança que olha para o mundo pela primeira vez.
Eliphas Levi escreveu:Sabe-se em ciência mágica que a água não é a água comum; que o fogo não é simplesmente o fogo que arde, etc. Essas expressões ocultam um sentido mais elevado.
Sabemos que rituais são catalizadores do poder mental, e a partir do momento que somos impressionados pelo visual e simbolismo ritualístico, geramos um pulso de vontade bem mais forte, tornando possível alterar a realidade(dentro de algumas variáveis) de maneira mais rápida e forte que outros métodos. O uso de velas(fogo), incenso(ar), água, e sal(terra) em rituais é puramente simbólico, pois estes são correspondentes dos elementos Primordiais(devido a sua natureza e energia), como uma regência, desta forma o Ar Primordial rege o ar microcósmico e assim por diante.
Na Alquimia recriamos a Obra divina em um laboratório, ou seja, criamos um microcosmos imitando o mito da Criação descrito no livro do gênese, desta forma podemos olhar de maneira figurada para a Criação e compreendê-la, assim como adquirir as respostas para a clássica pergunta: QUEM SOU EU? DE ONDE VENHO? QUAL O MEU PROPÓSITO? PARA ONDE VOU?
Cada uma das sete operações principais é um reflexo dos sete primeiros dias, nos quais Deus completou sua Criação. Ao recriar o gênese em laboratório nos tornamos aptos a recriá-lo também em nossa vida cotidiana, na nossa mente e espirito, alcançando um estágio elevado no qual executamos o religare.



Religare é uma palavra em latim que significa se reconectar e foi dela que se originou a palavra religião. É a tentativa do Homem se reconectar com a divindade, um retorno ao Jardim do Éden. Ao ser expulso ao provar do fruto proibido recebemos uma segunda chance, caso conseguíssemos retornar sozinhos seríamos merecedores do Paraíso. Para isso temos as escrituras que funcionam como um mapa, mas estas estão escritas em uma linguagem que o profano não domina, por essa razão levando o que foi escrito ao pé da letra as religiões transformaram  a sabedoria em prisões onde muitos acreditam estar buscando por Deus enquanto estão parados no começo do caminho. Há mais de uma forma de compreender as palavras sagradas e uma delas é repetindo através da alquimia o que lá está escrito. O Alquimista dá início a sua obra com o Fiat Lux e passa por cada um dos sete primeiros dias até que sua obra esteja finalmente realizada.
Apesar de haver sete operações principais, ao todo são 12 operações que deverão ser realizadas em sete dias, lembrando que o tempo é diferente para Deus e que convertido em dias alquímicos teremos quatro meses filosóficos na Via Seca e 28 na Via Úmida, sem contar o tempo gasto com tentativas infrutíferas.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Qui Nov 05, 2015 9:40 pm

OS SETE METAIS

Sei que já havia falado um pouco sobre os metais neste tópico, mas creio que nosso próximo ritual pede um maior aprofundamento, então falarei um pouco sobre cada um deles.

CHUMBO

O Chumbo é um metal escuro e pesado que na Astrologia foi relacionado ao Planeta Saturno e na Alquimia ao Nosso Minério, ou seja, à matéria prima.
Quando se diz transformar chumbo em ouro, nos referimos basicamente ao ato de transformar a matéria prima na pedra filosofal, que na regência astrológica poderia ser entendido como mudar a regência que pertence a Saturno para uma regência solar.
Saturno é o metal dos segredos e pode ser utilizado na confecção de caixas mágickas, pantáculos de Saturno, etc...
É um metal fixo e está relacionado ao repouso inicial e final, é o corpo.

FERRO

O Ferro é o metal de Marte(que recebeu o nome do deus da guerra), na magia é a vontade e na Alquimia o enxofre, é o metal masculino, que pode ser vencido pela ação da água(elemento feminino). Esta relacionado ao ponto de partida, ao movimento, ação, a alma. É um ótimo metal para confecção de lâminas de espadas ou punhais assim como para a confecção dos pantáculos de marte.
O ferro também está relacionado à fúria, bravura, etc...

COBRE

O Cobre é o metal de Vênus, na Alquimia é o Solvente Universal, na magia é o Agente mágicko/Luz Astral, é o metal feminino, é o alvo do movimento, é o espirito. É o metal com mais afinidade com a eletricidade(masculino). Está relacionado ao amor, sexo, fertilidade, paixão.

ESTANHO

Estanho é o metal do planeta Júpiter, está relacionado à busca religiosa, representa o sacerdócio, a liderança.

MERCÚRIO

O Mercúrio pertence ao planeta de mesmo nome, representa o contato sem intermédios com a divindade, e aquele pelo qual as mensagens divinas são transmitidas.

PRATA

O metal lunar que pertence à Rainha, representa o reinado passivo, mas volátil. A grande direcionadora, é a natureza materna.

OURO

O metal solar que pertence ao Rei, representa o reinado ativo, porém fixo. Está relacionado à pedra filosofal.



Este não é um post definitivo, mas tenho certeza que servirá para algum entendimento acerca dos sete metais.
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Re: Alquimia

Mensagem por Neo em Seg Nov 30, 2015 4:58 am

Vamos às práticas...


O CAMINHO DE SANTIAGO DA COMPOSTELA





Os tratados Alquímicos nem sempre seguem um consenso, enquanto alguns autores denominam o elemento passivo presente na matéria prima como o Mercúrio, outros preferem chamar de Sal, enquanto alguns citam sete operações principais(já explicadas neste tópico), outros preferem falar das 12 operações que formam o trabalho inteiro, estas operações nem sempre são encontradas na mesma ordem e até mesmo as palavras que as nomeiam parecem serem alteradas de acordo com a vontade de cada autor, mas isso não deve ser encarado como incoerência, mas como um exercício para que o adepto se desapegue dos nomes e pense na essência. Desta forma a própria Matéria Prima fora chamada de incontáveis nomes; magnésia negra, antimônio, Nosso Minério, minério dos sábios, lobo cinzento, satúrnia, etc...
O aprendizado alquímico apenas é possível através da junção do que é expresso pela linguagem própria de cada autor, porém é necessário seguir um único mapa, mesmo compreendendo a linguagem dos demais.

O caminho que mais me identifiquei até hoje e que tenho seguido com poucas alterações em seus métodos é o mapa operacional criado por Sir George Ripley composto de 12 operações, sendo elas; Calcinação, Dissolução, Separação, Conjunção, Putrefação, Coagulação, Cibatio, Sublimação, Fermentação, Exaltação, Multiplicação, Projeção. George Ripley foi um alquimista, que viveu no século XV e deixou uma quantidade considerável de escritos que fizeram parte dos estudos de muitos outros alquimistas que viriam a se tornar personagens notáveis, não só no ramo das ciências ocultas, como é o caso de Sir Isaac Newton.

Para compreender um pouco melhor o que cada uma das operações significa é necessário entender que a jornada alquímica segue o Caminho de Santiago da Compostela, Compostela que significa campo de estrelas seria uma estrada imaginária formada pelos 7 planetas ou 12 constelações zodiacais análogas às operações.
Tu, quando vires teus Astros ou Estrelas, segue-o até o fim, e, quitando-a das impurezas, verás ali um menino régio, formoso...
Devemos ter em vista que o que está acima, também está abaixo e como está escrito no evangelho de Marcos; Nada há fora do Homem que entrando nele o possa contaminar, mas o que vem do homem é que o contamina. Desta forma é possível encontrar no interior de cada um os sete planetas influenciando as atitudes e roubando a liberdade, o trabalho alquímico trata de cortar as cordas que nos transformam em marionetes nos entregando desta maneira a autoconsciência.
O Sol e a Lua são o pai e a mãe, a essência solar é o signo do leão, a essência lunar é o signo do caranguejo, do casamento destes dois são gerados cinco planetas e dentro de cada um destes cinco há uma essência formada pela dualidade do casal, 50% desta essência é solar e representada pelo signo diurno e 50% desta essência é lunar e representada pelo signo noturno.

Saturno-Aquário(essência solar de Saturno), Capricórnio(essência lunar de Saturno)
Marte-Áries(essência solar de Marte), Escorpião(essência lunar de Marte)
Vênus-Libra(essência solar de Vênus), Touro(essência lunar de Vênus)
Júpiter-Sagitário(essência solar de Júpiter), Peixes(essência lunar de Júpiter)
Mercúrio-Virgem(essência solar de Mercúrio), Gêmeos(essência lunar de Mercúrio)

Estes astros residem no nosso interior e não podem ser mortos, mas devem ser controlados e é disto que trata o caminho de santiago que culmina na tumba do Tiago Maior(Aquário/Multiplicação, uma das etapas finais na jornada alquímica, nela a Pedra Filosofal está pronta, falta apenas colocá-la em ação).
A tradição diz que o caminho de Santiago começa na França, isso se deve a Torre Eiffel, e deve ser interpretado que o caminho deve partir do Athanor.

A etapa que antecede a partida nesta peregrinação, é a busca pela Matéria Prima, e nesta etapa não há trabalho prático, apenas introspecção, através das muitas descrições o alquimista deverá decifrar a matéria prima física, assim como a mental e a espiritual, saiba que ela é uma terra negra e morta, que possui a capacidade de assumir a forma dos quatro elementos, possui características saturninas e um grande potencial adormecido. O alquimista se agarra ao papel de Microprósopo e segue à risca o mito da Criação como base nas suas práticas, desta forma a matéria prima É a própria divindade antes de dar início a Criação e a Pedra Filosofal, o potencial máximo da Criação divina. Como nos diz a Tábua de esmeraldas; todas as coisas derivam da Unidade por adaptação. Deus não criou nada externamente, mas retirou toda a sua obra do próprio interior através da divisão e multiplicação de si mesmo, como um bom artista. Apenas é possível externalizar aquilo que carregamos dentro de nós, mesmo que seja uma má interpretação do que é de fato aquilo que queremos expressar.
Cada um dos sete Planetas são corpos que possuem nos signos seus poderes de emanação, cada um será aperfeiçoado pelo signo adequado que se dá na forma de uma das 12 operações alquímicas.

CALCINAÇÃO




No Laboratório...

Calcinar significa reduzir à cinzas através do contato com o Fogo.
Me recordo de ter lido em algum lugar que nenhum alquimista conseguiu realizar a obra sem cometer erros grotescos logo de início, e comigo não foi diferente, acertei na Calcinação, mas estraguei o experimento logo no início da Dissolução, erro este que exponho aqui para alertar os futuros alquimistas que venham a se arriscar nestas operações. O que fiz foi acrescentar material externo no momento de dissolver as cinzas que restaram da Calcinação. Vale lembrar que a Nossa Matéria é um caos e possui em si tudo que precisa para a sua transmutação, nunca em hipótese alguma devemos acrescentar outra coisa além de matéria prima nestes experimentos. Como a Matéria possui em seu interior os quatro elementos, ela possui neste local tudo que precisa para o seu desenvolvimento, se assemelha à uma semente que possui no interior da casca, os cotilédones, a água, a própria terra e até mesmo o Sol que necessitará para crescer e se transformar em uma imensa árvore. Quanto a esta matéria prima, não será necessário outra coisa além dela mesma para realizarmos nossa Grande Obra, trata-se de autossuficiência.
O fogo que usamos para calcinar a pedra não é o fogo comum, mas nosso fogo secreto, e não será necessário mais que um incentivo para que possamos extraí-lo da própria pedra, quando o fogo tiver consumido toda a pedra restará apenas o Enxofre sem vida no fundo do frasco, o Adão filosófico que em sua solidão repousa sem propósito.

Na Mente...

O processo de Calcinação é representado pelo signo do Carneiro, e reflete o que na Astrologia é denominado; a queda de Saturno, que nada mais é do que o encontro de Saturno com Áries no céu. Saturno é velho e melancólico, aguarda pela morte próxima, já Áries é o impulso criativo e jovial, quase incontrolável, quando ambos se encontram Saturno é vencido, perde seu trono para a ferocidade do carneiro.
A face de Saturno expressa aqui é a face de Capricórnio, uma face depressiva, melancólica, preguiçosa, estática e moribunda que impede o desenvolvimento, já Áries surge para trazer o movimento, é o ponto de partida da jornada do peregrino de Santiago.
Porém não deve ser visto Capricórnio como o vilão e muito menos Áries como o mocinho, cada um destes aspectos carregam suas emanações negativas e positivas. Áries carrega seus defeitos; a ansiedade, a impulsividade, impaciência, etc...
O Alquimista deve domar Áries e usá-lo para combater os aspectos negativos de capricórnio, ou seja alimentar a força de vontade e eliminar a dispersão da força criativa nos solos inférteis, fazer com que a preguiça não te impeça de trabalhar, ter sob controle as atitudes e saber a razão verdadeira de tomá-las.
Áries é responsável pela expressão do verbo, pelo diálogo e está associado a manifestação verbal: EU SOU.
A manifestação verbal de Capricórnio é: EU USO
Disto podemos compreender que enquanto capricórnio necessita de intermédios, Áries entende que é a chave para qualquer porta que precise abrir.
A Calcinação está ligada ao Mago do tarot, onde a mesa cheia de ferramentas(potencial) é Saturno(matéria) e a mão erguida com a baqueta mágicka direcionando este potencial é Áries(fogo secreto).
O uso de uma mapa astral será de grande valor em cada uma das operação, como ferramenta para observar a influência planetária que deve ser trabalhada.

No Espiritual...

A humanidade como um todo se assemelha à matéria prima, se assemelha ao signo de capricórnio estático, na calcinação espiritual pisamos o primeiro degrau evolutivo, nos tornamos a semente que produziu um broto, que ainda que seja pouco, conseguiu sair do interior da terra buscando a iluminação espiritual. Fiat Lux!!!
Observem esta obra que retrata a escada de Jacó...



Assim como ele, a humanidade se vê adormecida aos pés de uma escada capaz de conduzir aos céus, a calcinação é o despertar e o galgar do primeiro degrau, entre o aprendizado virá a compreensão da Alma, do movimento e do verbo.





Estas três calcinações produzirão aprendizados grandiosos em várias áreas, tanto no físico como no mental e no espiritual.
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Re: Alquimia

Mensagem por Nienna em Seg Nov 30, 2015 11:23 pm



Neo escreveu:

Para compreender um pouco melhor o que cada uma das operações significa é necessário entender que a jornada alquímica segue o Caminho de Santiago da Compostela, Compostela que significa campo de estrelas seria uma estrada imaginária formada pelos 7 planetas ou 12 constelações zodiacais análogas às operações.

Fazendo um breve adendo, é válido lembrar que estes 7 planetas ou 12 constelações estão intimamente relacionados aos arquétipos da psiquê humana. Pois como é ressaltado pelo próprio Neo, o trabalho é executado em três planos.


Neo escreveu:
Porém não deve ser visto Capricórnio como o vilão e muito menos Áries como o mocinho, cada um destes aspectos carregam suas emanações negativas e positivas.


Afinal na face do homem velho, as rugas que contam a história do tempo versam também à sabedoria. E o ímpeto que promove o movimento, quando não controlado, leva tudo a danação.


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Re: Alquimia

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