Virtude: O Portal da Sabedoria

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Virtude: O Portal da Sabedoria

Mensagem por Malklord em Sex Jan 20, 2017 10:45 pm

Virtude, o portal da sabedoria

Por Pedro Oliveira

O homem ocupa um lugar único no vasto e infinito processo da evolução. Os livros antigos o definem como o elo de conexão entre espírito e matéria. Embora ele tenha sido capaz de criar instrumentos maravilhosos e aplicar seu conhecimento a fim de dominar alguns dos processos naturais, ele permanece até hoje um mistério inescrutável para si mesmo.
O ser  humano é ávido por conhecer mais acerca dos processos da vida e do espaço exterior; ele está pronto para interferir nos sistemas mais internos da vida, como os genes, e foi capaz de liberar o poder assombroso oculto no núcleo do átomo. No entanto, ele nunca aplicou a mesma energia para sondar sua própria mente, as profundidades de sua própria consciência. E essa é a razão pela qual o autoconhecimento é ainda um exercício muito raro no contexto da experiência humana global.
O homem é uma criatura inquieta. Está sempre buscando alguma coisa que o preencha e lhe dê felicidade. Ele quase nunca experimenta a paz ou o contentamento que surgem quando não há o desejo de ser outra coisa além do que se é. Sua busca de prazer e felicidade é de fato um movimento inconsciente em direção a algo que possa trazer uma paz permanente.
Porém, os sábios de todas as culturas e de todas as épocas declaram em uníssono que há apenas uma coisa que pode oferecer preenchimento interno permanente e inabalável – a sabedoria. Mas o caminho para a sabedoria está cheio de perigos e tentações. Pessoas que começam a buscá-lo podem facilmente acabar procurando poder e fama, porque, conhecendo um pouco mais do que os seus semelhantes, ficam tentadas a controlar e dominar. Outras confundem sabedoria com conhecimento; aplicam sua energia em acumular uma quantidade incrível de informação, sem compreender que a sabedoria é conhecer o que é essencial, não a acumulação de idéias por uma mente ignorante.
O poeta místico Jalaluddin Rumi comparou, a esse respeito: “O conhecimento tradicional, quando a inspiração está disponível / É como fazer abluções com areia quando há água perto de você.” Ele disse também: “Seja tolo, para que assim seu coração possa estar em paz. / Não com a tolice que se reproduz pelo falatório ocioso, / mas com aquela que surge da perplexidade diante da verdade.”
As religiões do mundo mostram que há um preço a ser pago para alcançar a verdadeira sabedoria. Ele consiste num modo de vida completamente impregnado pela virtude. Mas o peso morto da tradição e as interpretações mecânicas retrataram a vida virtuosa como uma forma de aderir a códigos externos de conduta. Portanto, é importante perguntar o que é a virtude.
Plotino disse que “a virtude é algo inerente à alma”, o que significa que ela é uma qualidade que existe na consciência em seu estado natural. É somente através da experiência que a consciência é alienada de sua natureza pura, porque é projetada para o exterior. Ela se identifica com coisas outras que não ela própria e, portanto, perde aquela claridade que é uma parte essencial da virtude. A palavra sânscrita dharma, que possui múltiplos significados, denota não apenas retidão ou lei, mas também a natureza essencial de um ser ou coisa, o que mais uma vez mostra que a integridade e a excelência moral devem ser encontrados dentro de nós.
Santo Agostinho definiu virtude como “amor retamente ordenado”, o que parece implicar que, se depender de nossos caprichos e interesse pessoal, o amor nunca gera virtude. Para muitas pessoas os relacionamentos são meramente oportunidades para extrair vantagens. Elas quase nunca estão dispostas a escutar o ponto de vista do outro, a mostrar boa vontade ou afeição; apenas mantêm aquele relacionamento enquanto puderem obter dele algum benefício.
Por outro lado, se há uma correta atitude interior, todos os relacionamentos se tornam oportunidades de serviço. Uma pessoa virtuosa é aquela que compreende profundamente que a vida é dar, e não procurar sempre obter coisas para si. O que é usualmente chamado de amor humano é basicamente um acordo inconsciente baseado no dar e receber, o que significa manter um relacionamento enquanto a outra pessoa está dando algo, quer seja na forma de afeto, prazer ou atenção. Mas a visão de Agostinho sobre a virtude deixa claro que o verdadeiro amor deve surgir de uma condição de ordem interior, a qual parece indicar um estado em que se está livre do interesse pessoal, em suas múltiplas formas.
Platão, em seu diálogo chamado Protágoros, faz uma afirmação sobre a virtude que merece profunda reflexão em todas as suas implicações. Ele diz que “a virtude não pode ser ensinada”, o que significa que, embora possamos nos beneficiar com o exemplo de nobres personagens, temos de chegar à virtude por nós mesmos.
Uma das causas do declínio da vida religiosa em muitas culturas é que as pessoas colocaram suas esperanças de redenção espiritual em agentes externos, como sacerdotes, escrituras e rituais. Mas quando olhamos para o ensinamento central das religiões do mundo, não podemos deixar de perceber que todas elas deixam bem claro que temos de conquistar nossa salvação com diligência.

Conhecimento verdadeiro

A erva daninha do egoísmo, que lançou raízes profundamente dentro da consciência humana, tem de ser arrancada por nossos próprios esforços. Escrituras, instrutores e rituais podem proporcionar indicações de um propósito mais profundo na vida, podem apontar um caminho de transformação, mas nenhum deles pode trilhar o caminho por nós.
De acordo com Platão, o verdadeiro conhecimento é um processo de recordação, o que significa que a fonte da compreensão espiritual está profundamente oculta em nós. Cegos pela ignorância, perseguimos todas as formas de experiências, sensações e conhecimentos fragmentados. Mas o conhecimento que é necessário para transformar nossa vida, para fazer com que o espírito incriado brilhe em toda a sua glória, já está dentro de nós.
Portanto a questão mais importante é: como podemos encarar as experiências e usá-las como um processo, de modo a aprender mais acerca de nós mesmos? Em primeiro lugar, deve haver uma clara compreensão do que aprender com a vida. Podemos começar a discenir entre o que é transitório, efêmero e aquilo que é de valor perene. O verdadeiro discernimento é certamente o começo do movimento em direção ao conhecimento autêntico.
Os resultados naturais do discernimento são a equanimidade e o contentamento. Ao invés de sermos controlados pelas situações, se há essa condição de equilíbrio interior, não importa qual a situação na qual estejamos envolvidos, poderemos ter uma visão clara, um julgamento correto e respostas sensatas.
O contentamento é a descoberta de um sentido de ordem e equilíbrio dentro de nós, de forma que não somos perturbados nem pelos eventos externos nem pela agitação interna. Ele resulta naturalmente de uma compreensão de que, na vida, a lei é a tudo abarca; o que quer que nos aconteça representa uma operação da lei que a tudo abrange, a suprema harmonia. Assim, se a mente compreende, mesmo que parcialmente, a natureza do verdadeiro contentamento, ela não se abala ou perde seu equilíbrio. Ela deixa que a lei siga o seu próprio curso.
Uma outra virtude fundamental é a humildade. Ela é considerada uma virtude essencial, a base da qual surgem todas as outras virtudes. Ela significa ausência de autopresunção, que é pretender possuir um conhecimento que realmente não possuímos. Também significa deslocar o centro de importância de nós mesmos para a vida ao nosso redor, reconhecendo, como já dissemos, que estamos aqui para aprender, mas aprender como ser útil aos outros, como prestar um serviço significativo àqueles que encontramos.
A humildade implica contínua vigilância sobre nossos motivos, pois o eu pessoal é uma criatura traiçoeira e pode freqüentemente nos levar a uma certa ação que é aparentemente boa, mas que, num exame mais detalhado, revela a existência do desejo dissimulado de auto-engradecimento. A verdadeira humildade é um elemento importante no autoconhecimento, pois ela traz simplicidade e pureza à mente e, portanto, abre o caminho para a manifestação daquela consciência que, em sua plenitude e harmonia, revela-se como a própria base do nosso ser.
Quando as pessoas vêem o mundo e sua dor, a pobreza e a violência estarrecedoras, a reação comum é a noção de que uma mudança tem de ocorrer; mas, ao mesmo tempo, sentem-se impotentes para efetuar tal mudança, pois os problemas parecem ser enormes, quase infinitos e complexos. Mas aqueles que são realmente grandes nunca se permitem deter-se em tais situações e dúvidas, pelo simples fato de que foram capazes de comungar profundamente com a dor do mundo, porque foram capazes de fazer cessar suas misérias e carências pessoais. Ao se livrarem delas através de sua própria inteligência espiritual, foram capazes de reunir coragem suficiente para manifestar em suas vidas uma tremenda claridade e determinação que tocou milhares.

Oportunidade preciosa


Há, hoje, grupos que acreditam que ingressamos numa nova era; coisas extraordinárias vão ocorrer e a humanidade dará um passo significativo na jornada evolutiva. Porém, o mundo fornece amplas evidências de que a brutalidade, as ações bárbaras e as divisões nacionalistas são ainda a ordem do dia. A essência da compreensão ética é resumida no princípio da responsabilidade. Ninguém pode nos dar força, ninguém pode nos conceder sabedoria. É uma lei fundamental da existência a de que devemos caminhar com nossos próprios pés e ver com nossos próprios olhos. O progresso real para os homens começa a ser compreendido pelo que a virtude é.
Portanto, aquele que busca a sabedoria num sentido real não alimentará ideias fantásticas, não acreditará em nenhuma forma de mudança supernatural e rápida na humanidade, causada por um agente externo. Ele consagrará sua vida, energia, tempo e esforço a colocar em prática a ética contida no Ensinamento-Sabedoria, pois uma verdadeira busca revela o fato de que a vida é uma oportunidade preciosa, bem como uma tremenda responsabilidade.
A singularidade da busca pela sabedoria está no fato de que ela provê diretrizes muito claras para empreendermos a jornada da transformação interior; ao avançarmos ao longo desse caminho, estaremos prestando à humanidade o maior de todos os serviços. Aqueles que vivem a vida como resultado natural de um sério estudo e compreensão terão mais chances de alcançar a sabedoria, para preencher o mundo com compaixão, amor e beleza eterna.

_________________
Malklord:: M.'.I.'.P.'.A.'.

Ominia in Unum

kabbalah, esoterismo , qliphoth , magia , ocultismo , celtas , força , wicca , verdade , ocultismo, occultismo, alquimia, sol, lua, astrologia, planetas, filosofia, sabedoria, busca, conhecimento, astrum argentum, arcanum arcanorum, hermetismo, religiões, cura, candomblé, umbanda, exu, orixás, anjos, demônios, deuses, forças da natureza, judeus, cristãos, Cristo, fogo, água, terra, ar, yin, yang, existencia, daemon, goetia, luz, escuridão, opostos, darkness, light, sun, moon, angels, michael, gabriel, rafael, adonai, mente, estudo, ciencia, meditação, force, grimoire, sabaoth,cernunos, mabon, graal, calice, arthur,artur,hermes,hermetico, alquimia, alchemy, pedra, filosofal, arcano, eliphas, levi, saint germain, fraternidade branca, sociedade teosifica, yggdrasil,ayahuasca, plantas de poder, Runas, rune, power, poder, hebraico, grego, grecia, roma, igreja
avatar
Malklord
Admin

Mensagens : 311
Data de inscrição : 15/08/2014

Ver perfil do usuário http://www.aemaeth.org

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum