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As Qliphoth

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Mensagem por Neo Dom Mar 28, 2021 1:33 pm

Considerações Gerais:

Este tópico está sendo criado como um complemento para nosso estudo para a roda do ano de 2021. Lembrando que nossas práticas não serão com as Qliphoth e que apenas estudaremos este tema como uma maneira de sabermos lidar com a sua influência, e será com base nisso que o tema será abordado.

Aqueles que já passaram por alguma Iniciação, seja dentro uma ordem, seja de forma solitária, sabe que elas estão ligadas a determinadas provas que devem ser superadas, provas estas que receberam, sobretudo dentro da tradição thelêmica, o nome de ordálias. Para aqueles que ainda não estão familiarizados com o tema deixo aqui uma explicação bem básica.

Um ritual de Iniciação seja ele parte da passagem de grau de alguma ordem, seja ele executado por um adepto independente não consiste apenas em uma cerimônia que vai autorizar uma passagem de grau do estudante. A cerimônia é apenas parte da coisa, pois junto dela surgem desafios análogos a fase iniciática a qual se esteja. Quando o magista desafia os elementais, como exposto por Eliphas Levi, o que ele está fazendo é formalmente assumindo a responsabilidade de ser testado nos aspectos de cada um dos quatro elementos, e isso vai acontecer diferente para cada um, mas ele terá de superar suas imperfeições em cada um desses aspectos, e é nessa superação que se poderá dizer que se passou de grau ou não. Esses desafios que surgem são as chamadas ordálias.

Para aqueles que realizaram outras rodas do ano, devem ter notado como parece que determinados acontecimentos da vida se relacionam intimamente com o período da roda. Como surgem coisas para que lidemos, que parecem complementar os ritos, essas coisas são também ordálias. Até porque fazer uma roda do ano pode até não ser uma das iniciações grandes, mas como envolve trabalho sobre aspectos de si, nos eleva em grau e pode sim ser considerada uma iniciação, mesmo que pequena. E quando se trabalha com a Árvore da Vida, as ordálias tendem a vir da qliphah que se relaciona com a sephirah que se está trabalhando e é nesse sentido que Dion Fortune cita a importância do seu estudo.


E para isso tem algumas coisas que acho importante que estejamos atentos...
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Mensagem por Klepsidra Dom Mar 28, 2021 6:11 pm

Boa tarde a todas e todos. Fiz um fichamento de resumo, sem tanto rigor acadêmico, do Capítulo XXVI do Cabala Mística da Fortune.

-x-
Dion Fortune começa o capítulo definindo as Qliphoth como Sephiroth malignas a adversas. Mencionando-as como "forças terríveis, havendo perigo até mesmo em pensar nelas". Para motivar tal estudo, cita o Mago Abramelim e seu sistema onde, após a evocação de anjos, há a evocação de demônios. Relembra/conscientiza-nos a "não evocarmos qualquer força a não ser que estejamos preparados para enfrentar seu aspecto adverso" pois a Sephirah é acompanhada de seu aspecto negativo. A Qliphah é o "outro lado da moeda", justamente, e não há outra opção a não ser enfrentá-la.
Cita a importância da distinção do Mal positivo, força contrária à evolução, e Mal negativo, oposição de inércia não superada - que pode sofrer alterações, dependendo de pontos de vista individuais. Sugere-se evitar dualismos, que são heresias.
No Pralaya, uma Noite dos Deuses, há o momento de perfeito equilíbrio de forças, que é estático e potencial. O desequilíbrio é o que permite o movimento e progresso. Tal aspecto é como um pêndulo, representado na árvore pelos pilares da Misericórdia e Severidade, que se opõem e criariam um colapso no universo caso deixassem de existir.
A origem das Qliphoth se dão na evolução das Sephiroth correspondentes. Kether se expandiu para Chokmah, desequilibrando-se. O desequilíbrio poderá ser compensado por um aumento de atividade em Chokmah, Sabedoria.
Atziluth possui um Nome de Poder, o Nome de Deus, associado a uma Sephirah. Correspondências: arcanjo e diabo, coro angélico e corte dos demônios, Esferas Sephiróticas e Moradas Infernais.
Ela cita também, como exemplos: marte (Geburah) desequilibrando-se em crueldade e destrutividade; calmaria e magnanimidade x laissez faire e inércia.
Tal capítulo é interessante não por trazer dados mais "técnicos" aprofundados da árvore e sim uma reflexão de como se dá essa dinâmica entre as Sephiroth e as Qliphoth, além de sua opinião sobre assuntos relevante à época.
Por mais que a proposta não seja evocar tal força, que seria chamá-la de forma direta e intensa, podemos observar sua ação diluída em intensidade nas demais operações que não explicitamente ligadas à Árvore. Essa observação com certeza será de grande tesouro e talvez pista para solução de dilemas e alcance de novos pontos de equilíbrio.

Uma pequena vivência mágica minha:

Recentemente venho trabalhando com evocações de anjos planetários conforme o Heptameron. Comecei com Vênus, análogo a Netzach, e com toda certeza tive que lidar com A'arab Zaraq. Como efeito colateral, durante um tempo a minha ansiedade veio à tona por conta de certos traumas e ilusões que foram evidenciados. Coincidência ou não, os efeitos colaterais foram melhor trabalhados depois que passei a evocar Saturno, que me deu maior maturidade pra encarar certas coisas. Já estou colhendo bons frutos disso, mas não terminei minhas operações ainda e não consegui analisar tão bem Saturno.

Acho que podemos colher reflexões como essas (não exatamente compartilhá-las, a não ser que sintamos a necessidade) para trabalharmos em Samhain.

Grande abraço
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Mensagem por Neo Seg Mar 29, 2021 10:14 am

Muito bom, Klepsidra. Ótima ideia do fichamento.
Podemos compartilhar algumas experiências sim.

Antes de falar das Qliphoth propriamente, vou deixar mais algumas considerações que acredito serem importantes para nosso trabalho.

Por que "Árvore da Morte"?

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Gêneses 2:8-9 e 16-17 escreveu:Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, a oriente, e pôs ali o homem que havia formado. E o Senhor Deus fez brotar do solo toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso, e, no meio do jardim, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.(...) O Senhor Deus deu-lhe uma ordem, dizendo: Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque, no dia em que dela comeres, com certeza morrerás

Embora o livro do Gênese não mencione uma árvore da morte, e sim uma árvore do conhecimento do bem e do mal, a morte aparece logo em seguida como uma consequência do ato de comer os seus frutos, como destacado na citação acima. Acho importante destacar também que esse conhecimento dualista exposto pela ideia de um conhecimento do bem e do mal é a expressão de um conhecimento egoísta, que torna o humano apartado da divindade.

Qual o bem que esse conhecimento aponta? O meu bem.

Qual o mal que esse conhecimento aponta? O meu mal.

Quando assumimos um pensamento dualista, estamos assumindo uma divisão não só no objeto de conhecimento, mas em nós mesmos. É dentro dessa forma de ver o mundo que pode haver um sujeito que conhece e um objeto conhecido. Que pode haver um eu e um outro. E o Eu é sempre privilegiado. Enquanto o caminho da Árvore da Vida é um caminho que busca religar, unir-se com o divino, romper as barreiras colocadas entre nosso Eu e o todo que nos cerca, o caminho da árvore da morte traz uma busca particular, encerrada cada vez mais no próprio sujeito, seus desejos, medos, etc. E esse fechar-se cada vez mais em si mesmo, é morrer.

Álvaro de Campos escreveu:Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas senão uma despedida

Caminhar pelas Qliphoth, é desligar-se cada vez mais do exterior, ou melhor dizendo, é criar cada vez mais o exterior, mas não em um sentido de abster-se, mas sim de levar em consideração apenas o que é desejo particular. E encerrando-se cada vez mais, perdendo essa irmandade com as coisas, iniciamos um processo de morte.

E por isso deixo como principal alerta durante essa roda, que fiquemos atentos a qualquer inclinação ao isolamento que possa surgir, ainda mais durante esse período de pandemia. Precisaremos nos manter abertos ao outro em nosso cotidiano, e também abertos aqui enquanto grupo. Um do outro cuidará... Por favor não esqueçam isso!

Deixo aqui esse curta, que marra justamente o oposto dessa exteriorização. Mas uma reunião de tudo.





Se alguém quiser complementar o tópico, fique à vontade. Na próxima postagem vou falar da primeira Qliphah.
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Mensagem por Neo Dom Abr 04, 2021 1:36 pm

A palavra Qliphah significa casca ou concha e pode ser entendida como as camadas grosseiras que encobrem o núcleo da manifestação sephirótica. De um ponto de vista platônico, poderíamos dizer que as Qliphoth são as sombras, e aquele que ainda não adquiriu a clareza necessária poderia facilmente se distrair com a sombra acreditando que fosse aquilo que estava buscando.

Dessa forma poderíamos facilmente nos distrair com a ira, o ódio, a violência acreditando se tratar de Severidade, quando na verdade seria apenas um reflexo distorcido da mesma. A luz de cada uma das Sephiroth projeta sua sombra nas Qliphoth, e cada um que busque acessar as primeiras terá que passar pela segunda como um envoltório e assim surgem as ordálias relacionadas a cada uma delas, tais ordálias são as dificuldades de penetrar a casca, de abrir a concha, de abrir a Qliphah para que a sombra seja dissipada pela luz da Sephirah. E para isso o adepto precisa aprender a se guiar e não ficar preso as distrações.

Aqui começarei a postagem sobre as Qliphoth, antes de cada ritual postarei sobre a Qliphah correspondente à Sephirah que estaremos trabalhando.

Vamos começar com a Qliphah de Malkuth

10. LILITH

As Qliphoth Lilith-adam-and-eve

A décima Qliphah é chamada de Lilith ou Nahemoth/Nahema.

A imagem associada é a de uma bela mulher capaz de assumir uma forma bestial.

Conhecida como "rainha da noite" ou ainda "sussurros da noite". Representa a força do chamado da Terra, o selvagem, o carnal, a luxúria, e os excessos.

Representa tudo aquilo da existência física que não é controlado, ou não pode ser. Assim como Malkuth é o último estágio da energia sephiróthica, Lilith solidifica a força de todas as Qliphoth anteriores. É uma força caótica e anticivilizatória e desagregadora de toda ordem estabelecida.

Existem também cinco Nações Amaldiçoadas associadas a esta Qliphah, que são zonas dominadas por forças sombrias, que sâo:

-Amalekitas, os Agressores
-Gheburin, os violentos
-Raphaim, os covardes
-Nephilim, voluptuosos
-Anakim, Anarquistas, as crianças do Caos
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Mensagem por Nienna Dom Abr 04, 2021 3:16 pm

Vou tentar contribuir um pouco.

De acordo com Karlsson, no livro Qabalah, Qliphoth and Goetic Magic, "a Qlipha de Lilith corresponde ao selvagem e o carnal. A terra em seu aspecto mais violento."

(Sugiro que neste ponto Neo colabore com seu conhecimento na simbologia dos elementos. Penso que ela pode ser bastante útil, pois é nas analogias que se escondem os maiores arcanos).

O pintor Arnold Bocklin tem algumas boas pinturas que, segundo Karlsson, são boas imagens do que essa Qlipha simboliza. Concordo com ele, principalmente sobre esta que apresento abaixo. Chama-se Plague, de 1898.
As Qliphoth 53680010

Ora, ora, estamos em meio a uma pandemia...

"Ela (Lilith) é o aspécto da existência física que não pode ser controlado." Embora muito se tenha tentado nesse sentido.

"O sono e os sonhos são o útero da Qlipha Lilith. Conteúdos reprimidos pela mente em vigília ( por todo um aparato moral que outros campos do saber podem oferecer alguma explicação) aparecem em sonhos e podem adotar a forma demoníaca, refletindo tanto nossos medos quanto nossos desejos "

Call me Freudiana, é verdade.

Estar atento aos nossos sonhos, no entanto, é um imperativo a qualquer estudioso de ocultismo. Apenas sugiro estar mais atentos agora.

Atentos aos sonhos, aos medos e aos desejos...



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Mensagem por Malklord Dom Abr 04, 2021 11:56 pm

Todo fruto é protegido por cascas, a Natureza (equivalente ao nome Elohim em hebraico), protege a essência dos frutos, suas sementes e poupa através das cascas.

Assim como a concha protege a preciosidade das pérolas assim as Qliphoth protegem as Sephiroth.

Em um mundo dual como o nosso toda manifestação é polarizada e toda luz projeta uma sombra. apenas em Ein Soph tudo se dilui no Uno que é a meta toda a criação.

Aqui vagaremos pelos tuneis de Maeth, aqui perscrutaremos a sombra em nós para alcançar, sermos merecedores, das Orot Chayá e Hochmah (Luzes da Misericórdia e Sabedoria).

Minha sugestão é que para adentrar neste reino, que possamos buscar olhar o que em nós estes domínios representam, quais aspectos de nossa natureza inferior estão em consonância com cada uma dessas Conchas.

Pois no umbral de cada Sephirah há um Anjo que guarda sua entrada e no umbral de cada Qliphah há um Demônio que guarda a sua entrada. O que em nos ressoa com cada um desses aspectos e como nos purificar deles para ascender aos mundos superiores?

Saudações!


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